6 de junho de 2010

Multimidia na web – áudio, video, flash, html5 e quem mais tiver a ver com tudo isso

Olá amigos,

Há tempos que venho interessado em comentar algo sobre o suporte a multimidia na Web. Sou do tempo em que a Web não era lugar para sons, muito menos video. A gente tinha que se aventurar em plugins ou componentes ActiveX para obter .mid no Netscape ou até mesmo MP3 no Internet Explorer, respectivamente. Mas o troço era tão ruim que as pessoas até se assustavam se um site resolvesse tocar aquelas  “musiquinhas” que já foram febre nos celulares paleozóicos.

Vamos discutir aqui sobre a evolução dessas coisas, mas não tenho interesse em apresentar verdades absolutas. Se você tiver interesse em discutir a respeito e tiver uma idéia mais esclarecida do que a minha, eu lhe peço por favor, clique em “leia o resto deste post” e me ajude com as próximas linhas.

Lá vamos nós …

Eis que veio o Flash. Tá, quem me conhece sabe que nunca fui o maior defensor da tecnologia, mas justiça seja feita, a Web evoluiu com ele.

Por que nunca fui fã? Vamos lá: No início, os sites apresentavam aquelas infames apresentações iniciais. A sorte era quando havia um “pular introdução”. Nada mais amador do que aquelas apresentações. Depois alguns webdesigners se aventuraram em fazer sites completamente em Flash. O visual era bacana, mas a acessibilidade era dantesca. Imorais aquelas barras de rolagem estilizadas que sempre davam lag no browser e não funcionavam ao scroll do mouse. A Macromedia, que havia comprado a Future Splash (criadora do Flash) e aposentado seu produto concorrente Shockwave Director, foi comprada pela Adobe, esta sim, uma referência de qualidade em seus produtos: Postscript, Acrobat e talvez o mais famoso deles, Photoshop, são só alguns exemplos de fantásticas tecnlogias da Adobe. As coisas melhoraram bastante, mas infelizmente, a esta época eu, que já era fã incondicional do software livre e usuário, digamos, full-time, do Linux, continuei a sofrer com o famigerado Flash-plugin-non-free. Isso para não falar que meu amigo e professor da Especializa, Rafael Manzella, engenheiro de posicionamento há anos, realizador de campanhas de SEO para várias grandes empresas enquanto morava na Espanha, sempre me disse é FREUD fazer posicionamento de sites em Flash.

Por que acho que evoluiu? Porque estes mesmos designers descobriram que era possível usar o flash para interfaces ricas e foi difícil tornar o termo RIA (Rich Internet Application), sugerido pela Macromedia, mais amplo e abranger outras técnicas como o Ajax/Comet, Silverlight ou JavaFX. Outra razão foi o suporte a streaming de audio e video. As notícias ficaram mais vivas e avançamos à era do broadcast yourself.

No auge das discussões sobre o HTML5, o padrão para adoção dessas midias parece que ainda vai dar o que falar. Para isso, mais uma vez vou precisar enrolar beeeem muito: No período das grandes navegações na Web, Cristóvão Colombo descobriu o MP3. O problema é que o MP3, ou MPEG-1 Audio Layer 3 (MPEG = Moving Picture Experts Group) é propriedade de um instituto de pesquisa alemão e da empresa Thomson Consumer Electronics e, desde 1998, quem fabrica player MP3 comercial precisa pagar royalties pros caras.

A comunidade de software livre resolveu criar um padrão de mídia como patrimônio da humanidade. A este padrão deram o nome de Ogg, mantido pela fundação Xiph.org. Só que o Ogg é um guarda-chuva de padrões multimídia. O codec de audio foi denominado Ogg Vorbis. Este sim, o candidato da comunidade open source a substituto do MP3.

Com relação a video o desafio foi ainda maior. A empresa On2 Technologies, liberou o código de seu codec VP3 e a comunidade lançou seu produto Ogg Theora, comparável ao padrão MPEG-4.

Paralelo a isso, a Apple vem trabalhando em um codec de vídeo derivado de seu Quicktime, para uns conhecido como MPEG-4 parte 10 ou MPEG-4 AVC, mas que vem sendo chamado no mercado pelo seu código mesmo H.264 (exato, veio depois do H.263). Sites como o Youtube e o ITunes disponibilizam vídeos em H.264 e dispositivos como tocadores blu-ray, IPhones, ITabs, Androids, Blackberries e Maemos possuem suporte a decodificação diretamente no chip, sem uso de software, o que economiza energia. Saiba que este foi um dos motivos técnicos que fizeram Steve Jobs condenar o uso do Flash.

A Google adquiriu a On2 Technologies e entregou mais uma versão de seu codec à comunidade. O VP8 vem despontando como um concorrente de peso ao cargo de codec padrão de vídeos HTML5. Aliando-o ao codec de audio Ogg Vorbis, nosso MP3 realmente livre, empresas como a fundação Mozilla, a Opera Software, A Google e … a Adobe criaram o projeto WebM com o objetivo de unir forças em prol da ubiquidade destes padrões.

Se tio Steve levanta motivos para não usar o Flash e se une à Google e à comunidade de software livre para preencher com HTML5 as lacunas dos padrões abertos das interfaces ricas na Web, é pau pra comer sabão. Se a Adobe se une também ao Google e à comunidade de software livre para promover o VP8, suportando este codec nos flash players, em detrimento do H.264 da Apple, é pau pra saber que sabão não se come.

Nessa história toda, a Google posa de boa moça, parceira dos padrões abertos e paladina na luta contra o draconian future, mas é a comunidade de software livre que sai vencedora. Seus padrões estão enfim conquistando o mundo e é o mundo quem se beneficia com isso.

Deixe um comentário