Você é desenvolvedor Web, webdesigner ou front-end engineer? Você possui negócios que possam se beneficiar com o uso da tecnologia? Você é usuário e gosta de recursos mais parrudos como vídeos ou interativos, onde você possa ajudar a produzir o conteúdo?
Você tem tudo a ver com isso!
Corrijam se eu estiver enganado, mas há mais ou menos 3 anos, o governo brasileiro vem levantando estudos sobre os rumos da Internet aqui na terrinha que culminaram em dois grandes temas para debates, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e o marco civil da Internet.
O marco civil é um esforço coletivo a fim de se criar normas para reger responsabilidades, crimes e competências específicas para a Internet no Brasil. Sabe aquele papo que muita gente comenta “A Internet é um mundo sem lei!” ou no melhor juridiquez que fui capaz: “julgamentos que envolvam delitos virtuais são embasados em jurisprudência e não em leis específicas”. Pois é, o que está sendo discutido é justamente uma regulamentação digital..
PNBL
Já o Plano Nacional de Banda Larga, PNBL como vem sendo largamente exposto na mídia, é um conjunto de iniciativas do governo em prol de democratizar e potencializar o uso da banda larga em todo o país.
Antes de mais nada, em respeito aos mesmo que “ainda” poucos leitores deste blog, não pretendo politizar este post. Não estou falando que apóio ou deixo de apoiar o governo Lula ou sua candidata. Não sou a pessoa mais indicada para tentar influenciar neste tipo de opinião. Só sei que o plano está aí, em decreto oficializado no último dia 12 e pelo menos promete um futuro mais promissor para os nossos negócios, seja quem for nosso novo presidente.
Somos criadores e/ou administradores de softwares que certamente precisam da Internet. Quanto maior e mais democrática ela for, melhor pra gente. Um estudo levantado pelo site SpeedTest classificou o Brasil em 81° lugar em velocidade média das conexões, com velocidade média de 2.53 Mbps, enquanto o primeiro da lista é a Coréia do Sul, com 22.47 Mbps.
Acho que eles ainda foram muito bonzinhos. Por apenas colherem informações de usuários que testem suas conexões neste site, provavelmente receberam visitas muito nobres dos usuários brasileiros. O próprio IDC Brasil afirma que a nossa banda larga se concentra nas faixas de 256K a 511K e de 512K a 1Mbps, com o destaque para o crescimento das bandas “largas” móveis, as famosas 3G, que cresceram bastante em número de adesões e principalmente de reclamações.
Telebras
Um dos pontos mais polêmicos do PNBL é a reativação da estatal Telebras. Quem como eu conheceu o Atari, o War ou o Pogobol sabe que a Telebras era a holding que administrava as teles estatais (como a antiga TELPE), no jurássico tempo pré-internet onde telefone era patrimônio e tudo era muito pior (a não ser os desenhos animados, perdão mas Cartoon e anime japonês vs Marvel e Hannah-Barbera é uma comparação imoral).
No governo FHC, diversas estatais foram privatizadas, dentre elas todo o sistema Telebras. Houve leilões de concessões para exploração de serviços de telefonia em todo território nacional. Aos poucos foi havendo novos leilões (como o leilão da banda B) para que outras empresas pudessem explorar as mesmas regiões, criando assim alguma forma de concorrência.
As concessionárias de telefonia, leia: Telemar/Oi/Brasil Telecom, Embratel, Telefonica, Tim, Vivo, Claro, GVT e etc, iniciaram os serviços de acesso a internet até então realizados por provedores de linhas discadas na época em que a Internet era infame e mesmo assim a gente achava massa! Paralelo a isso a Telebras, única estatal não leiloada teve suas atividades reduzidas a quase nada e a grande maioria de seus funcionários restantes foram cedidos à Anatel, agência então criada para regular esse povo todo.
Hoje, a estatal renasceu com o foco exclusivo em Internet. Ela não será mais uma empresa de telefonia, mas uma empresa de banda larga. Será a gestora do PNBL, administrando uma rede de fibras óticas estatais que alcançam boa parte do interior do país completamente virgem de Internet rápida. Será a empresa pública que proverá serviços de Internet em repartições públicas como órgãos, escolas, universidades, centros de saúde, etc. Será a gestora de backhauls, unidades de interligação entre redes periféricas e backbones centrais, no interior e nas periferias para que provedores pequenos possam entregar Internet rápida a seus clientes ou ela mesma o faça onde não houver parceiros locais.
Mesmo para que você possa discordar da opinião dele, vale muito a pena ler o blog de Rogério Santanna, um dos principais articuladores do PNBL e recem nomeado presidente da nova Telebras, em seu post que mostra os motivos do governo resolver “concorrer” com as teles privadas. Para quem achar que a nossa Internet é cara apenas por causa dos impostos, destaco aqui um trecho em que ele afirma: “Descontando os impostos, o preço da banda larga no Brasil continua muito caro. Esse valor é de 47 dólares, enquanto que na Argentina é de 38 dólares. Nos Estados Unidos o custo cai para 15 dólares”.
Olha só outra passagem interessante: “A União Internacional de Telecomunicações considera banda larga as conexões acima de 2 megabites e, de acordo com dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil, 90% delas no país são inferiores a 1 megabite”. Ou seja, nossa banda larga, nem larga é.
Leilões
Além do ingresso da Telebras, estamos hoje em vias de realização do leilão da banda H, para inserir um novo concorrente no mercado de Internet 3G. Provavelmente será para colocar a Nextel na lista dos provedores 3G. Mesmo que você considere isso um favorecimento injusto, o fato é que esse leilão vem sendo vedado à participação de quem já realiza 3G, aumentando a concorrência, o que barateia o serviço e consequentemente aumenta o número de nossos clientes.
Outros leilões ansiosamente aguardados são os das faixas 3.5Ghz e 450 Mhz. A primeira faixa, a já famosa rede 4G – Wimax, deverá colocar Internet de 10 Mbps a 100 Mbps nos celulares e todo mundo vai poder ter um HTC Evo ou equivalente para falar no telefone vendo a outra pessoa. Finalmente, chegaremos no tempo dos Jetsons. A segunda vai levar banda larga às zonas rurais, aumentando assim nosso mercado consumidor.
A promessa é de votação até o final desse ano, mas faltando 20 dias pra copa do mundo e menos de 5 meses para as eleições presidenciais, vamos rezar bastante.
O que isso muda na minha vida?
Acredito que já tentei responder isso até agora, mas se você não se convenceu, permita abusar e copiar um parágrafo completo do post de Rogério Santanna que acredito ser a parte mais interessante para o perfil dos leitores do Blog da Especializa:
“As operadoras de telefonia não têm interesse em promover a banda larga porque essa tecnologia acaba com o seu negócio principal que é vender voz a um preço alto. Na banda larga do futuro, 92% do tráfego será vídeo. Hoje, sem tirar o telefone do gancho o usuário já gasta mais de R$ 40,00. E isso não ocorre só no interior do Brasil onde é preciso haver um subsídio para a prestação do serviço, mas também nas grandes capitais. Com banda larga, voz se torna uma commodity gratuita. Quando utilizamos uma tecnologia baseada em Voip (Voz sobre IP) o que pagamos é a infraestrutura de acesso à banda larga. E isso independe para onde estamos ligando, ao contrário da telefonia convencional. Então, quando tivermos largura de banda suficiente poderemos utilizar VoiP também do telefone celular, ocorrerá o fim do negócio de telefonia como conhecemos hoje. Esse é um mercado que deixa para as operadoras R$ 100 bilhões ao ano, excluindo os impostos.”
Sacou?